Brasil é 10º em ranking de educação na América Latina
Relatório que avalia progressos dos países nas metas do projeto Educação para Todos mostra Brasil em 72º lugar entre 127 nações
da PrimaPagina
Apesar dos avanços obtidos nos últimos anos pelo Brasil na educação, o país ainda tem um desafio a enfrentar: a má qualidade do ensino oferecido pelas escolas brasileiras. A importância da qualidade na educação, principalmente no tocante aos
professores, é o tema do Encontro de Alto Nível do projeto Educação para Todos, que começou na segunda e termina nesta quarta-feira, em Brasília, organizado pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), com o apoio do PNUD.
No Relatório de Monitoramento Global feito pela UNESCO, o Brasil aparece na 72ª colocação no Índice de Desenvolvimento do Educação para Todos entre os 127 países que assinaram o acordo no Fórum Mundial de Educação de Dacar, no Senegal, em 2000. Essas 127 nações se comprometeram a tomar seis medidas para melhorar o ensino em suas escolas. “No fim das contas, a idéia é a mesma do segundo dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio das Nações Unidas”, explica Ligaya Fujita, representante-assistente do PNUD, que acompanha o evento.
As seis metas do Educação para Todos são: expandir o acesso a cuidados e à educação para a primeira infância; garantir a educação primária universal; criar oportunidades aprimoradas de aprendizado para jovens e adultos; gerar um aumento de 50% em taxas de alfabetização de adultos; promover a igualdade de gênero; melhorar todos os aspectos da qualidade da educação. Para realizar essas ações, os países têm dois prazos. "Os objetivos de curto prazo precisam ser atingidos até 2005 e os de longo prazo até 2015", diz Ligaya.
O Brasil está em condições de alcançar quase todas as metas propostas pelo Educação para Todos e recebeu elogios no Relatório. No entanto, a questão da qualidade ainda é um problema. “Estamos perto do acesso universal. No entanto, a capacidade pedagógica, o treinamento e o salário dos professores ainda deixam muito a desejar”, afirma Ligaya.
Entre os 16 países da América Latina, o Brasil está em 10º no ranking. O Índice de Desenvolvimento é baseado em indicadores para as quatro metas que podem ser mais facilmente mensuradas: educação primária universal, alfabetização entre adultos, qualidade (utilizando como indicador a taxa de permanência dos alunos até a 5ª série) e paridade de gênero. Na primeira dessas metas, o Brasil está no 32º lugar no ranking global. Na segunda, no 67º e, na paridade de gênero, na 66º colocação. No entanto, no índice que mede a qualidade do ensino, o país está em 87º lugar. Ainda assim, o relatório elogia algumas iniciativas brasileiras de promover a qualidade de ensino, como o Bolsa Escola, o FUNDEF (Fundo de Manutenção e de Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério) e o treinamento de professores por meio de ensino à distância.
Segundo os dados divulgados no Relatório, os 41 primeiros países do ranking estão próximos de alcançar as metas do projeto — em sua maioria nações industrializadas e em transição, como Coréia do Sul e Cingapura. No entanto, países em desenvolvimento da América Latina e do Caribe, como Barbados (8º lugar), Argentina (23º), Cuba (30º) e Chile (38º), também fazem parte da lista. O Brasil se encontra no segundo grupo, o dos 51 países considerados próximos de algumas metas, mas longe de outras. Os últimos 35 países, como Bangladesh, Paquistão e vários da África Subsaariana, estão muito distantes de atingir as metas no prazo.
Na abertura do evento que acontece em Brasília, esteve presente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As discussões envolvem líderes em educação dos 127 países, além de representantes das agências da ONU com representação no Brasil, como o Banco Mundial. A diretora-executiva do UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) também participa do encontro.
Fonte: http:// www.pnud.org.br/gerapdf.php?id01=798. Disponível em 21 de março de 2010
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