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domingo, 28 de março de 2010

Cidadania, democracia e educação

Por diversas vezes, discutimos a relação entre cidadania, democracia e educação. Essas discussões sempre nos leva para o mesmo caminho: que é através da educação que constituímos pessoas em cidadãos. Para compreender a relação entre cidadania, democracia e educação (titulo do texto), achamos interessante o texto abaixo e gostaríamos de compartilhar com vocês. Boa leitura!!!
“A adoção de uma concepção de ser humano como sujeito histórico exige que se considere o fato de que as relações entre cidadania, democracia e educação se dão em tal reciprocidade e imbricação que cada um dos termos contém necessariamente os demais. (...)
O termo cidadania, embora tendo origens que remontam à antiguidade grega, possui um significado moderno e complexo que não podia ser alcançado pelas sociedades daquela época. Para compreendê-lo é preciso ter presente que a cidadania, para além do conceito de pessoa, entendida como um ser natural, dotado de características próprias, supõe a categoria de indivíduo. Este, mais do que um ser que tem características apenas particulares, detém propriedades sociais, que o faz exemplar de uma sociedade, composta por outros indivíduos que possuem as mesmas características. Estas não advêm de sua simples condição natural, mas do fato de pertencerem a uma sociedade historicamente determinada. Dizer isso implica considerar o conceito de homem histórico, construtor de sua própria humanidade, ou seja, que é, ao mesmo tempo, natureza e transcendência da natureza. Ao transcender a natureza, ele se faz sujeito, condição inerente a sua própria constituição como ser histórico. Mas esse ser histórico só existe, só se constrói, de modo social, na relação com os demais seres humanos. Nessa relação, é preciso que, além de sua condição de sujeito, seja preservada a condição de sujeito dos demais (seus semelhantes); ou seja, a ação do individuo diante dos demais indivíduos deve ocorrer de tal modo que, para preservar seus direitos (como direitos de individuo e não como privilégios de pessoa), sejam preservados também os direitos dos demais indivíduos. Assim agindo, o individuo estará considerando também seus próprios deveres. Direitos e deveres universais (que se reportam a todos os indivíduos de uma sociedade) são, pois, faces de uma mesma moeda e configuram a base da cidadania moderna. As sociedades antigas, tradicionais, pré-modernas, baseavam-se predominantemente em relações pessoais, de parentesco, de compadrio, de privilégios, enquanto o que caracteriza uma sociedade que se possa chamar de moderna é a predominância das relações entre indivíduos que são cidadãos.
Também a democracia, apesar de sua origem remota, transformou-se enormemente em seu percurso histórico, enriquecendo-se de novos significados, à luz dos quais precisa ser compreendida. Assim, ela já não deve ser vista em sua conotação etimológica de “governo do povo” ou em sua versão formal de “vontade da maioria “, mas sim em seu significado mais amplo e atual de mediação para a construção da liberdade e da convivência social, que inclui todos os meios e esforços que se utilizam para concretizar o entendimento entre grupos e pessoas, a partir de valores construídos historicamente.
Nesse sentido, a cidadania, como síntese de direitos e deveres, constitui-se fundamento da sociedade democrática. A democracia é importantíssima no âmbito político; mas, para efetivar-se, de fato, como mediação de uma vida social norteada por princípios histórico-humanos de liberdade, ela precisa impregnar toda uma concepção de mundo, permeando todas as instâncias da vida individual e coletiva. Assim, embora vital, não basta haver regras que regulem pelo alto, fazendo ordenamento jurídico-político da sociedade. É preciso que cada indivíduo pratique a democracia. Daí a relevância de exercício concreto e cotidiano da cidadania: só há sociedade democrática com cidadãos democratas.
Tudo isso evidencia a importância da educação tanto para a cidadania quanto para a democracia. Compreendida como a apropriação do saber historicamente produzido, a educação é o recurso que as sociedades dispõem para que a produção cultural da humanidade não se perca, passando de geração para geração. Desse modo, a educação constitui a mediação pela qual os seres humanos garantem a perpetuação de seu caráter histórico. Isto é, se o homem se faz histórico é porque é o construtor de sua própria humanidade, e se essa criação só se dá pela mediação dos conhecimentos, técnicas, valores, instrumentos, tudo enfim, o que consubstancia a cultura construída pelos próprios homens, então a educação, ao propiciar a apropriação dessa cultura, é imprescindível para o desenvolvimento histórico. Em particular, a democracia não poder ser imaginada sem a atualização histórico-cultural de seus cidadãos, proporcionada pela educação, posto que ela mesma é um valor construído historicamente a ser apropriado pelos indivíduos. Por sua vez, a verdadeira educação deve ser necessariamente democrática posto que, por seu caráter histórico, supõe a relação entre sujeitos autônomos (cidadãos). Do mesmo modo, sem apropriação da cultura, não há condições para a cidadania, ou seja, há um mínimo de cultura produzida historicamente que o individuo precisa assimilar para poder viver e desempenhar seu papel social à altura de seu tempo e da sociedade que está inserido; além do que “ser cidadão, e ser individuo, é algo que se aprende.”
(Damatta, Roberto. A casa & a rua. 4 ed. Rio de Janeiro, Guanabara, 1991, p.72)
PARO, Vitor Henrique. Escritos sobre educação. São Paulo: Xamã, 2001, p.9

Educar é mostrar o caminho para aprender


Educar e mostrar o caminho para aprender e aprender junto


O papel do professor não é apenas o de ensinar, deve criar condições para que o aluno aprenda, permitir a construção do conhecimento e não apenas a transmissão de informações.

Conheça os
Programas e Ações da Secad

A Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad), criada em julho de 2004, é a secretaria mais nova do Ministério da Educação. Nela estão reunidos temas como alfabetização e educação de jovens e adultos, educação do campo, educação ambiental, educação escolar indígena, e diversidade étnico-racial, temas antes distribuídos em outras secretarias. O objetivo da Secad é contribuir para a redução das desigualdades educacionais por meio da participação de todos os cidadãos em políticas públicas que assegurem a ampliação do acesso à educação.
Secretário de Educação Continuada, Alfabetização e DiversidadeAndré LázaroTelefone: (61) 2022-9217/9018

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Os sete saberes necessários à educação do futuro

Edgar Morin

“Os sete saberes necessários à educação do futuro não tem nenhum programa educativo, escolar ou universitário. Aliás, não estão concentrados no primário nem no secundário nem no ensino universitário, mas abordam problemas específicos para cada um desses níveis. Eles dizem respeito aos sete buracos negros da educação, completamente ignorados, subestimados nos programas educativos. Programas esses que na minha opinião, devem ser colocados, no centro das preocupações, sobre a formação dos jovens, futuros cidadãos.”

UMA DICA DE OURO

Jaime Pinshy é um historiador pela USP, professor titular pela Unicamp e autor de vasta obra onde se destaca a preocupação com os direitos do cidadão e a discriminação. Preocupado com a falta de prática cidadã em nossa sociedade. Pinsky tem atuado também fora da universidade, fazendo palestras, dirigindo a Editora Contexto e escrevendo par órgãos não especializados. Com seus artigos , publicados, principalmente no Estadão e na Folha, leva a visão do historiador para o cotidiano dando-lhe historicidade.
É fundamental que os professores trabalhem em sala de aula, com a questão da cidadania, concebida em sua dimensão histórica. As lutas, as conquistas, os limites, a possibilidade de alcançar melhor qualidade de vida para todos,e não para poucos, tudo isso deve fazer parte dos estudos do currículo escolar. Os textos de Cidadania e Educação permitem uma melhor compreensão do que é ser cidadão, apenas como conceito jurídico, mas como prática social. O pedestre, o estudante, o professor, o motorista , o vizinho são personagens deste livro que merece ser lido e debatido por todos que se interessam por uma sociedade mais democrática.

Circe Bittencourt (historiadora, professora da USP e especialista em currículo escolar.

sábado, 27 de março de 2010

ARRANCADO DE MEUS BRAÇOS

ARRANCADO DE MEUS BRAÇOS
ARRANCADO DE MEUS BRAÇOSAparecido Donizetti Hernandez
Aprendi a arte do comércio, das barganhas e das trocas,Aprendi com meus ancestrais, faz parte de minha cultura.Aprendi a arte de ser feliz,Aprendi com meus ancestrais, faz parte de minha cultura.Aprendi a fazer festas,Aprendi com meus ancestrais, faz parte de minha cultura.Aprendi a viver coletivamente em tendasE tendo o Planeta como nosso, e a terra como nossa,Não sendo somente minha,Aprendi com meus ancestrais, faz parte de minha cultura.Aprendi ser perseguido,Aprendi com meus ancestrais, não faz parte de minha cultura...Faz parte dos preconceitosCultivados há milênios, mais antigos, talvez, que minha cultura,Faz parte da cultura dos intolerantes, que não compreendem minha cultura.Aprendi a ver o futuro nas cartas,Ler as linhas do destino nas mãos espalmadas,Aprendi com meus ancestrais, faz parte de minha cultura.Mas não aprendi com os intolerantesA ter meu filho arrancado de meus braços...Faz parte da cultura dos intolerantes.Não faz parte de minha cultura!

domingo, 21 de março de 2010

Qualidade

Um dos temas mais discutidos em relação a educação no Brasil é a qualidade. Além de tema de discussão, devemos lembrar que esse é um dos direitos garantindos por lei, mas que, por diversos motivos, não são respeitados. O texto abaixo é bem interessante, pois nos traz dados recentes sobre o Brasil em relação a outros países.



Brasil é 10º em ranking de educação na América Latina

Relatório que avalia progressos dos países nas metas do projeto Educação para Todos mostra Brasil em 72º lugar entre 127 nações

da PrimaPagina


Apesar dos avanços obtidos nos últimos anos pelo Brasil na educação, o país ainda tem um desafio a enfrentar: a má qualidade do ensino oferecido pelas escolas brasileiras. A importância da qualidade na educação, principalmente no tocante aos
professores, é o tema do Encontro de Alto Nível do projeto Educação para Todos, que começou na segunda e termina nesta quarta-feira, em Brasília, organizado pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), com o apoio do PNUD.
No Relatório de Monitoramento Global feito pela UNESCO, o Brasil aparece na 72ª colocação no Índice de Desenvolvimento do Educação para Todos entre os 127 países que assinaram o acordo no Fórum Mundial de Educação de Dacar, no Senegal, em 2000. Essas 127 nações se comprometeram a tomar seis medidas para melhorar o ensino em suas escolas. “No fim das contas, a idéia é a mesma do segundo dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio das Nações Unidas”, explica Ligaya Fujita, representante-assistente do PNUD, que acompanha o evento.
As seis metas do Educação para Todos são: expandir o acesso a cuidados e à educação para a primeira infância; garantir a educação primária universal; criar oportunidades aprimoradas de aprendizado para jovens e adultos; gerar um aumento de 50% em taxas de alfabetização de adultos; promover a igualdade de gênero; melhorar todos os aspectos da qualidade da educação. Para realizar essas ações, os países têm dois prazos. "Os objetivos de curto prazo precisam ser atingidos até 2005 e os de longo prazo até 2015", diz Ligaya.
O Brasil está em condições de alcançar quase todas as metas propostas pelo Educação para Todos e recebeu elogios no Relatório. No entanto, a questão da qualidade ainda é um problema. “Estamos perto do acesso universal. No entanto, a capacidade pedagógica, o treinamento e o salário dos professores ainda deixam muito a desejar”, afirma Ligaya.
Entre os 16 países da América Latina, o Brasil está em 10º no ranking. O Índice de Desenvolvimento é baseado em indicadores para as quatro metas que podem ser mais facilmente mensuradas: educação primária universal, alfabetização entre adultos, qualidade (utilizando como indicador a taxa de permanência dos alunos até a 5ª série) e paridade de gênero. Na primeira dessas metas, o Brasil está no 32º lugar no ranking global. Na segunda, no 67º e, na paridade de gênero, na 66º colocação. No entanto, no índice que mede a qualidade do ensino, o país está em 87º lugar. Ainda assim, o relatório elogia algumas iniciativas brasileiras de promover a qualidade de ensino, como o Bolsa Escola, o FUNDEF (Fundo de Manutenção e de Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério) e o treinamento de professores por meio de ensino à distância.
Segundo os dados divulgados no Relatório, os 41 primeiros países do ranking estão próximos de alcançar as metas do projeto — em sua maioria nações industrializadas e em transição, como Coréia do Sul e Cingapura. No entanto, países em desenvolvimento da América Latina e do Caribe, como Barbados (8º lugar), Argentina (23º), Cuba (30º) e Chile (38º), também fazem parte da lista. O Brasil se encontra no segundo grupo, o dos 51 países considerados próximos de algumas metas, mas longe de outras. Os últimos 35 países, como Bangladesh, Paquistão e vários da África Subsaariana, estão muito distantes de atingir as metas no prazo.
Na abertura do evento que acontece em Brasília, esteve presente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As discussões envolvem líderes em educação dos 127 países, além de representantes das agências da ONU com representação no Brasil, como o Banco Mundial. A diretora-executiva do UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) também participa do encontro.
Fonte: http://
www.pnud.org.br/gerapdf.php?id01=798. Disponível em 21 de março de 2010

terça-feira, 9 de março de 2010

Direito a ter direitos




Para refletir...


Será que todas as crianças têm os mesmos direitos? Direito à atenção e ao amor? Direito à moradia e alimentação? Direito à Educação???